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Mercado de São Paulo10 de outubro de 2026

Estoque de imóveis novos em São Paulo passa de 90 mil unidades à venda

Oferta tocou o pico da série do Secovi em junho (91,5 mil) e fechou julho em 90,6 mil; fora do MCMV, levaria 13 meses para ser vendida, contra 7 em dez/2024

O estoque de imóveis novos à venda na cidade de São Paulo nunca foi tão alto como em 2026. A oferta final chegou a 90.607 unidades em 31 de julho de 2026, segundo a Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário (PMI) do Secovi-SP de julho/2026, divulgada em 15/09/2026: 42,2% mais do que as 63.707 unidades de julho de 2025. Em junho, a série havia tocado 91.546 unidades, o maior valor desde o início da medição, em janeiro de 2004.

No segmento que o Secovi-SP chama de "outros mercados", tudo o que não é Minha Casa, Minha Vida, a oferta de 38.048 unidades levaria 13 meses para ser vendida no ritmo atual. Em dezembro de 2024 eram 7 meses. No MCMV, com 52.559 unidades, o prazo é de 8 meses. A seguir, onde o estoque pesa, como é medido e por que o pronto quase não entra na conta.

90.607unidades novas à venda na cidade de São Paulo em jul/2026Secovi-SP, PMI jul/2026
91.546pico da série em jun/2026, o maior desde jan/2004Secovi-SP, Oferta Final Cidade de SP
13 mesespara vender a oferta fora do MCMV (7 meses em dez/2024)Secovi-SP, PMI jul/2026
9,2 mesespara vender a oferta total da cidade (cálculo próprio)sobre dados Secovi-SP

Como o estoque de imóveis novos em São Paulo chegou a 90 mil unidades

A oferta final de dezembro ficou entre 22 mil e 27 mil unidades de 2014 a 2018. Subiu para 39.091 em dezembro de 2019 e 65.865 em dezembro de 2021, recuou a 60.652 em dezembro de 2024 e saltou para 85.204 em dezembro de 2025, alta de 40,5% em um ano (Secovi-SP, Oferta Final Cidade de SP). Em 2026 subiu de 81.336 unidades em janeiro para 91.546 em junho.

O motivo está nos lançamentos, não nas vendas. Nos 12 meses até julho de 2026 foram lançadas 146.346 unidades, 18,1% a mais que no período anterior, enquanto as vendas somaram 118.148, alta de 5,7% sobre as 111.726 do período anterior (Secovi-SP, PMI jul/2026; variação: cálculo próprio, que o gráfico 1.2 da PMI arredonda para 6%).

Oferta final de imóveis novos na cidade de São PauloUnidades não vendidas de lançamentos dos últimos 36 meses; dezembro de cada ano e meses de 2026
Oferta final de imóveis novos na cidade de São Paulo20.00040.00060.00080.000100.00090.60727.25591.54622.040dez/14dez/17dez/20dez/23jan/26abr/26jul/26Oferta final de imóveis novos na cidade de São Paulo20.00040.00060.00080.000100.00090.60727.25591.54622.040dez/14dez/18dez/22jan/26jul/26

Fonte: Secovi-SP, índices econômicos (Oferta Final Cidade de SP) e PMI jul/2026. Pico da série desde jan/2004 em jun/2026 (91.546). Último mês divulgado: jul/2026.

Ver os dados em tabela
PeríodoOferta final (unidades)
dez/1427.255
dez/1527.055
dez/1624.130
dez/1722.040
dez/1822.327
dez/1939.091
dez/2046.948
dez/2165.865
dez/2270.805
dez/2364.634
dez/2460.652
dez/2585.204
jan/2681.336
fev/2680.248
mar/2683.999
abr/2685.933
mai/2688.761
jun/2691.546
jul/2690.607

Recorde em unidades não é recorde em tempo de venda. Pelo cálculo próprio (oferta final dividida pela média mensal de vendas de 12 meses), a cidade tinha 9,2 meses de estoque em julho de 2026, contra 6,8 em julho de 2025 e 17,9 em dezembro de 2016, o máximo de toda a série desde 2004 (calculável desde dezembro de 2004), com só 24.130 unidades à venda e vendas em queda.

Fora do MCMV, 13 meses para vender

O Secovi-SP publica os meses de escoamento apenas por segmento: econômico (MCMV) e "outros mercados", que reúne o médio e o alto padrão. Em dezembro de 2024, os dois tinham 7 meses de oferta. Em julho de 2026, o MCMV seguia em 8 meses, e os outros mercados chegaram a 13, com 38.048 unidades contra 30.528 um ano antes (Secovi-SP, PMI jul/2026, gráfico 4.2).

Meses para vender a oferta, por segmento, cidade de São PauloOferta final dividida pela média mensal de vendas de 12 meses, como publicado pelo Secovi-SP
  • Outros mercados (médio e alto padrão)
  • MCMV
Meses para vender a oferta, por segmento, cidade de São Paulo05101520138dez/21dez/22dez/23dez/24dez/25jul/26Meses para vender a oferta, por segmento, cidade de São Paulo05101520138dez/21dez/23jul/26

Fonte: Secovi-SP, PMI dez/2023, dez/2025 e jul/2026 (gráfico 4.2). Meses de escoamento = oferta / (vendas de 12 meses / 12), conforme o Secovi-SP. O teto do MCMV mudou em ago/2023 e abr/2026, o que afeta a comparação entre os anos.

Ver os dados em tabela
PeríodoOutros mercados (médio e alto padrão)MCMV
dez/211410
dez/22169
dez/23128
dez/2477
dez/25118
jul/26138

Em julho de 2026, a VSO mensal (vendas sobre oferta) foi de 13,0% no MCMV e de 6,0% nos outros mercados. De janeiro a julho, as vendas do MCMV cresceram 24,5% sobre 2025; as dos outros mercados caíram 18,6% (Secovi-SP, PMI mensais; cálculo próprio). Parte da queda vem da mudança do teto do MCMV em abril de 2026; de janeiro a março, com a mesma definição, foi de 13,1%.

Quanto maior e mais caro o apartamento, mais tempo a oferta leva para sair. O BTG Pactual, em análise de dados do Secovi-SP citada pelo Metro Quadrado em 10/06/2026, apontou 26 meses de estoque para unidades de 4 ou mais dormitórios em abril de 2026, o maior nível desde 2017, e 23 meses para unidades acima de 180 m².

Onde o estoque pesa: faixa de preço e zona Oeste

Por faixa de preço, a oferta é maior em unidades nas faixas baixas e mais lenta nas altas. Como as faixas mudaram em abril de 2026, os meses de estoque abaixo usam a janela de abril a julho (cálculo próprio).

Faixa de preçoOferta final jul/26 (unid.)VSO mensal jul/26Meses de estoque (abr-jul/26)
Até R$ 275 mil21.41215,3%6,4
R$ 275 mil a 400 mil39.68110,7%8,6
R$ 400 mil a 600 mil11.4916,6%12,3
R$ 600 mil a 1,0 mi6.3485,0%20,1
R$ 1,0 mi a 2,25 mi6.7654,9%20,3
R$ 2,25 mi a 5,0 mi3.0764,1%18,7
Acima de R$ 5,0 mi1.8342,5%30,4

Fonte: Secovi-SP, PMI jul/2026 (tabela 5.1); meses de estoque: cálculo próprio (PMI abr-jul/2026).

Acima de R$ 600 mil, o estoque passa de 18 meses em todas as faixas e chega a 30,4 meses acima de R$ 5 milhões. Por região, a zona Oeste concentra o maior estoque em dinheiro: R$ 25,9 bilhões, 39% do valor global da oferta (VGO) de R$ 66,8 bilhões da cidade (Secovi-SP, PMI jul/2026, p. 11). Em unidades, a oferta da região subiu 48,8% em 12 meses, de 13.750 para 20.463, com vendas de janeiro a julho em alta de 2,0% (cálculo próprio). Leia mais em zona Oeste.

Por que o apartamento pronto quase não aparece na conta

A oferta do Secovi-SP é definida como as unidades não vendidas dos lançamentos dos últimos 36 meses; um empreendimento lançado há mais de três anos sai da amostra, vendido ou não. Por isso a composição por fase de obra em julho de 2026 era: 50,1 mil unidades lançadas há até seis meses (55%, o que a PMI chama de “planta”), 39,4 mil em construção (44%) e 1,2 mil prontas (1%), sempre dentro dos lançamentos dos últimos 36 meses (Secovi-SP, PMI jul/2026).

Oferta de imóveis novos por fase de obra, cidade de São Paulo, jul/2026Participação na oferta final de 90.607 unidades
Lançado há até 6 meses55%
Em construção44%
Prontas (entregues)1%

Fonte: Secovi-SP, PMI jul/2026 (oferta por fase de obra). Só entram lançamentos dos últimos 36 meses. O estoque pronto mais antigo, reportado pelas incorporadoras em seus balanços, fica fora desta conta.

Ver os dados em tabela
PeríodoParticipação na oferta
Lançado há até 6 meses55%
Em construção44%
Prontas (entregues)1%

Esse 1% não significa que faltam apartamentos prontos: a régua do Secovi-SP mede o lançamento recente. A plataforma Orulo, em levantamento para o CIMI360 divulgado pelo Portas em 07/08/2026, contou 30.085 unidades novas prontas sem comprador em 11 regiões metropolitanas em junho de 2026; na região metropolitana de São Paulo, cerca de 1 em cada 10 imóveis novos à venda já estava pronto. Os balanços do 2T26 trazem esse estoque empresa por empresa: veja estoque pronto das incorporadoras.

O que isso muda para quem vai comprar

Estoque alto é uma condição de mercado, não uma promessa de desconto. O que os dados permitem dizer:

  • Escolha o segmento antes do bairro. Fora do MCMV, a oferta equivale a 13 meses de vendas; acima de R$ 600 mil, passa de 18 meses em todas as faixas (Secovi-SP, PMI jul/2026; cálculo próprio).
  • Pergunte a data de lançamento. Unidades lançadas há mais de 36 meses não estão na oferta oficial; a condição está na tabela da incorporadora.
  • Separe planta de pronto. 55% da oferta oficial está na planta. Na PMI, "planta" é lançamento com até seis meses e "construção", do sétimo mês até a entrega; nas duas fases o saldo é corrigido pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), enquanto o pronto paga a tabela vigente. Veja comprar na planta e o INCC.
  • Condição é assunto de cada empreendimento. Nenhuma fonte consultada publica o percentual médio de redução de tabela praticado em São Paulo em 2026; a condição concreta consta da tabela vigente de cada incorporadora e dos balanços de cada empresa, em estoque pronto das incorporadoras.
  • Compare a tabela do mês com a de três meses atrás. Com 13 meses de estoque nos outros mercados, vale conferir a tabela vigente a cada visita, definida por cada incorporadora. Veja os empreendimentos em /imoveis.html.

Perguntas frequentes

O que é "oferta final" na pesquisa do Secovi-SP?

É o número de unidades residenciais novas não vendidas entre os lançamentos dos últimos 36 meses na cidade de São Paulo, apurado junto às incorporadoras associadas: 90.607 em julho de 2026.

Quantos meses de estoque São Paulo tem em 2026?

Depende do recorte. O Secovi-SP publica 13 meses para o segmento fora do MCMV e 8 para o MCMV em julho de 2026. Para o total da cidade, nosso cálculo dá 9,2 meses, contra 6,8 em julho de 2025.

Estoque alto muda a condição de compra?

Não automaticamente. O estoque mede quanto tempo a incorporadora levaria para vender no ritmo atual; a condição concreta está na tabela de cada empreendimento.

Fontes e método

Os dados vêm da PMI do Secovi-SP de julho/2026 (divulgada em 15/09/2026) e das séries Oferta Final e Vendas dos índices econômicos do Secovi-SP (desde 2004), consultadas em 09/10/2026. Recorte: cidade de São Paulo, residencial novo, empresas associadas; não é o Brasil nem a região metropolitana.

Cálculo próprio. O Secovi-SP publica meses de escoamento só por segmento. Os 9,2 meses da cidade, os 6,8 de julho/2025, os 9,0 de dezembro/2025, os 17,9 de dezembro/2016 e os números por faixa de preço e zona Oeste são oferta final dividida pela média mensal de vendas de 12 meses (abril a julho/2026 nas faixas de preço). O mesmo cálculo reproduz os 9,6 meses de junho/2026 citados pelo Banco Safra em 14/08/2026.

Quebras, divergências e lacunas. O teto do MCMV mudou em agosto/2023 e abril/2026, sem reclassificação dos PDFs antigos, e a definição de oferta (36 meses) pode ter variado ao longo da série. A Brain contou 103,8 mil unidades em oferta no fim de 2025 e 7 meses de estoque, contra 85.204 unidades e 9,0 meses pelo nosso cálculo sobre dados do Secovi-SP, que publica 11 meses para outros mercados e 8 para o MCMV em dezembro/2025: universos diferentes. A Abrainc/Fipe (15,6 meses, médio e alto padrão) e a CBIC/CII (9,5 meses, reproduzido na PMI jul/2026) medem o Brasil, não a capital. Não há série pública do estoque pronto com mais de 36 meses de lançamento na cidade. BTG e Brain foram lidos pela imprensa (Metro Quadrado, Portas), não nos relatórios originais; o Safra, em publicação própria do banco (O Especialista), com dados do Secovi-SP.

Este texto é conteúdo institucional publicado pela Alfa Realty Novos Negócios, com dados públicos citados. Não é recomendação de investimento nem promessa de desconto ou valorização.

Conteúdo institucional da Alfa Realty Novos Negócios, incorporadora. Seleção de dados e análise: André Cunha, Diretor de Novos Negócios, CRECI 75615. Os números vêm das fontes listadas abaixo, com a data em que foram consultados; nada aqui é promessa de preço, retorno ou prazo.

Fontes e base legal

  1. Secovi-SP, Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário (PMI) julho/2026: oferta final, fase de obra, meses de escoamento, faixas de preço, glossário (consultado em 9 de outubro de 2026)
  2. Secovi-SP, índices econômicos, Oferta Final Cidade de SP (2004 a jul/2026) (consultado em 9 de outubro de 2026)
  3. Secovi-SP, índices econômicos, Vendas de Imóveis Residenciais Novos Cidade de SP (2004 a jul/2026, base do cálculo de meses de estoque) (consultado em 9 de outubro de 2026)
  4. BTG Pactual (análise de dados Secovi-SP) via Metro Quadrado, estoque de alto padrão no maior nível desde 2017, abril/2026 (consultado em 9 de outubro de 2026)
  5. Orulo/CIMI360 via Portas, estoque de imóveis novos prontos em 11 regiões metropolitanas, junho/2026 (consultado em 9 de outubro de 2026)
  6. Banco Safra, O Especialista (publicação própria do banco), mercado imobiliário de São Paulo em junho/2026 (dados Secovi-SP) (consultado em 9 de outubro de 2026)
  7. Brain Inteligência Estratégica via Portas, oferta e estoque em meses na cidade de São Paulo em 2025 (consultado em 9 de outubro de 2026)
  8. Abrainc/Fipe, Indicadores junho/2026 (oferta MAP, Brasil) (consultado em 9 de outubro de 2026)
  9. CBIC/Brain via Mercado&Consumo, mercado residencial nacional 2T26 (estoque de 9,5 meses, também reproduzido na PMI jul/2026 do Secovi-SP) (consultado em 9 de outubro de 2026)

Conteúdo informativo, com dados públicos citados nas fontes. Não é recomendação de investimento, promessa de valorização nem assessoria jurídica ou financeira; as condições de cada imóvel constam do contrato e da tabela vigente. A Alfa Realty não garante resultados de mercado.

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